sexta-feira, 28 de junho de 2013

"Roma não deveria ter a fortuna que tem"

À Conversa com... Simone de Oliveira e Márcia Breia (Parte V)

L: Num tempo como aquele em que vivemos, qual é ou deveria ser o papel da Igreja?
S.O: Não me fale de Igreja, que entramos já numa discussão muito grande. Para já, Roma, não deveria ter a fortuna que tem. Roma poderia fazer vários hospitais, em vários sítios carenciados, de toda a África, e continuava com muito dinheiro. Portanto, eu acho que este papa está metido num grande sarilho. Quando Roma tem um banco, é um estado…
M.B: Quando nos referimos assim à Igreja, a ajuda local, em Portugal, tem sido simpática. Eu penso que muitas freguesias, têm conseguido superar um determinado tipo de crise, com as pessoas m
ais necessitadas.
S.O: Quando me fala de Igreja… a Igreja para mim é Roma, não é propriamente aqui as nossas coisas que ajudam.

L: Acha que os idosos são uma classe esquecida?
S.O: São. Completamente. Esquecida, maltratada. Não aceito que as pessoas deixem os pais nos hospitais. Eu deitava-me no chão, quem me dera ter a minha mãe viva. Deitava-me no chão, em cima da pedra, ao lado dela. A vida não me deixou… levou-me a minha mãe muito cedo, quando eu tinha 33 anos, não sou capaz de perceber…
Não sou capaz de perceber, o que é isto? Que desumanidade é esta? O que é que se passa? E depois vão à Igreja bater com a mão no peito? Algumas vão: “ Nosso senhor disse que temos de ser muito bonzinhos” Porra! desculpe lá o porra.
Outra coisa, para a qual não tenho, o mínimo, de capacidade de entendimento. Não temos lugar? Temos! A filha vai para o chão e dá a cama à mãe. É assim que eu sinto, é assim que a minha alma sente.

L: Que conselho daria aos jovens, que estão a terminar o curso neste momento?
S.O: Olha que escolhessem outra coisa qualquer- refere-se ao jornalismo (Risos). Pasteleiros, vão para o campesinato… É uma psicose… modelos, atrizes e jornalistas, não percebo, não percebo… Pronto é a escolha deles e ainda bem.
M.B: É o sonho deles e se a conjuntura não fosse a atual, a comunicação poderia ter alguma coisa noutros sítios, não só a escrever. A comunicação pode ter outra maneira de atuar, não é. Sendo que uma das mais nobre é, efetivamente, o jornalismo. Eu, para mim é uma das mais nobres.
S.O: Sim, claro. Com certeza.
M.B: Mas não há só o Jornalismo, na comunicação. Agora o concelho para os jovens, olhe que eu não sei… Acho que devem seguir, se conseguirem… se a vida ainda lhes deixa, se os pais, as mães, os tios ou quem é que está a subvencionar isso, porque já ninguém pode viver por conta própria… Os filhos estão em casa cada vez até mais tarde, porque não podem ter casa, não podem comprar casa, não podem ter coisa nenhuma…
Portanto, se têm alguma hipótese, acho que devem continuar os seus sonhos e depois logo se vê.
S.O: Ah, sim, sim. Eu acho que as pessoas devem ser… aliás, como diz a cantiga “O sonho comanda a vida”, uma pessoa fazer uma coisa, na vida, de que não gosta… é uma coisa trágica, trágica. E eu tive a sorte, de fazer toda a vida aquilo de que gostava, por mero acaso, mas fiz, faço o que gosto e pronto.
Mas faz pena… nós temos gente de qualidade! Como os enfermeiros, varrem ai os enfermeiros todos para fora, porque cá não têm lugar e há falta de enfermeiros!
M.B: Mas aí vamos bater ao que se disse, no início. O que está errado é a maneira como se está a resolver uma crise, que não pode ser resolvida assim, de todo!
S.O: Lá fora, são todos considerados extraordinários, porque são. Nós temos uma qualidade de trabalho muito boa.
Faltam médicos, faltam enfermeiros, aqui. Também me parece que entrar, para medicina, com média de 19, também me parece um disparate, para já. Ninguém me diz, que um rapaz que entra para medicina, com 19, é melhor médico do que aquele que entra com 15. Não tem nada a ver uma coisa com a outra, acho que o 19, para medicina, uma coisa… excessiva, excessiva.
M.B: É uma maneira de selecionar… um tipo que tem 19, a medicina, teoricamente sabe alguma coisa. Teoricamente… mas toda a gente sabe, que o ensino deveria ser mais experimentado que experimental. As pessoas têm que fazer estágios… bater no duro… e então o 19 serve para muito mais do que serve o 15.
S.O: Agora faz pena que esta gente…e nós temos gente com muita base, depois faz o quê? Não me pergunte a mim o que pode fazer, porque eu não sei responder. Não sei, sinceramente não sei responder nem o que se faz, nem como se faz. Que isto tem de ter uma saída qualquer, para bem deste país, tem que ter. E, naturalmente, é capaz de estar ligado a tudo o que pode acontecer na Europa, não é só por nós.
M.B: o problema é que, quando a crise se instalou aqui, nós já tínhamos uma vida muito baixinha, muito razinha. Enquanto noutros sítios, a vida, para eles, também se complicou muito, sobretudo nalguns países em que nunca se estaria à espera… eles já tinham um nível de vida, muito diferente, nós vamos bater no fundo, já batemos! Nós nunca tivemos as condições que eles têm… O nosso patamar era muito baixinho e ainda desceu mais…

S.O: Agora, quem é que pode resolver? Ou como é que isso se resolve? Ou que volta é que isto vai dar? Sinceramente, eu acho que ninguém, em verdade, se quiser ser sincero, lhe vai dizer, ninguém sabe… Se nós não sabemos, amanhã, como é que está a porcaria dos descontos, do abono e do não sei o quê em duodécimos, nós próprios não sabemos…é uma chinesice, vamos aqui atirar luas, não é? não sei…
Os políticos, esses é que lhe podem responder… agora a cantante fica-se por cantante e por atriz e olhe que já é uma luta… e já é uma luta desgraçada…
Eu estou aqui, em frente do televisor…Todos os dias há uma coisa diferente, a mesma pessoa diz-se e desdisse. E depois, toa a gente comenta…
M.B: Isso é uma profissão que existe agora…
S.O: Comentadores que ganham, com certeza, mais do que eu tenho de reforma… por cada vez que lá vão! São todos comentadores, mas isso é uma coisa portuguesa, desde sempre…desde o berlinde, até sermos jogadores de bancada, nós sabemos de tudo. É uma coisa nossa, é uma coisa típica portuguesa… Toda a gente faz comentários, é uma coisa que me põe doida. Eu daquilo que não sei, não falo.
Como é que se resolve? Não me pergunte a mim que eu não sei… para que é que eu lhe vou dizer que sei, se não sei… porque realmente não sei, embora eu não queira passar ao lado… não entendo.

Aline Araújo; Pedro Emidio; Rute Fidalgo 

* Devido à sua dimensão, a entrevista encontra-se dividida em vários posts


quinta-feira, 27 de junho de 2013

"Os jornais estão a apanhar a maior pazada de todos os tempos..."

À Conversa com... Simone de Oliveira e Márcia Breia ( Parte IV)

L: Como é que é ser artista, em tempo de crise?
S.O: É viver com o que há. Continuar a ser digno, continuar a fazer aquilo que se faz com paixão e com verdade, continuar, até porque qualquer país tem de continuar a ter músicos, bailarinos, atores, atrizes, tudo, tem que continuar.
M.B: Numa área que eu conheço muito bem, que é o teatro, também num país como o nosso, pequeno, não com as vistas muito profundas e não muito esclarecido… não se pode entregar os teatros ás bilheteiras e toda a gente tem direito ao seu projeto artístico, mais complicado, menos complicado… Essas companhias eram, normalmente, subsidiadas, outras viviam, realmente, só da bilheteira… o que em alguns casos eu achei sempre muito errado. Como é que se deixa um circo morrer, entregue a uma bilheteira?... e é uma arte necessária, foi sempre. Não estou a falar das “enjeroquices” que, às vezes, as pessoas inventam para brilhar e não sei o quê, não. Estou a falar de coisas concretas que pertencem ao status todo de uma nação, de um país, de um povo… levaram uma grande machadada!
Estou a falar do teatro, mas a música também, o bailado também, quer dizer, eu, pessoalmente, se tivesse algum poder de decisão dentro desse tipo de pessoas, fazia uma coisa que acho que se devia fazer… Ninguém faz mais nada! Fecham-se as portas… Não é destruir ou dissolver as companhias todas, nada disso! Acabámos, não fazemos mais! Não há palhaços, não há coisa nenhuma, não temos dinheiro para… e depois vai-se ás entidades competentes que estão na Comissão Europeia dizer: Em Portugal, fecharam todas as atividades culturais, por não haver qualquer apoio, por termos sofrido os maiores cortes…
É uma vergonha! Não é possível ter um país, da União Europeia, que não tenha uma atividade cultural, alguma coisa deveria sair daí.
É um país, onde o único jornal que as pessoas leem é o Metro, porque o entregam na estação, já nem os jornais as pessoas leem, os jornais estão a apanhar a maior pazada de todos os tempos…
Ao São Carlos, continuam a ir as pessoas que têm dinheiro. Mas as pessoas não terão direito a um tipo de cultura mais “rafinhé”, tem de ser tudo casca grossa e vamo-nos rir, não.

L: Porque é que acha que a classe de reformados é tão atacada e porque é que a comunicação social dá uma maior importância aos reformados com pensões milionárias?
S.O:  Enquanto eu me lembrar daqueles senhores muito ricos que foram fazer aquela situação de angústia, que tinham 57 mil euros de reforma e tiraram-lhes 7 mil…Entrou lá um senhor… se eu soubesse que, naquele dia, eles estavam lá, eu tinha lá ido com ele, não tinham lá em casa um filhos que lhe dissesse: “ Oh pai, é melhor não se meter nisso… alguma pessoa que ganhe 350 euros por mês vai lá e é capaz de lhe dar uma grande tareia”. Fazem uma reunião de indignados, porque lhes tinham tirado 7 mil euros de reforma… por amor de Deus! O que é isto? Isso é notícia? Claro que é notícia… naturalmente, não é notícia a senhora que vive em Moimenta da Beira e que, coitada não tem um bocadinho de pão para comer e aqueles senhores dão notícia, são capa de revista.
Querem muito fazer capa, fazer capa… ou é muito pelas grande desgraças, pelas grandes paixões, pelos grandes divórcios ou é pelas pessoas ricas, que coitadinhas estão muito aflitas porque lhes tiraram 7 mil euros, por amor de Deus!
M.B: Eu tenho uma visão irónica sobre isto. Acho que é a maneira de resolver o problema da terceira idade, matando-nos a todos que temos mais de 65 anos, à fome.
S.O: Achas? Nem que eu tenha de comer raízes pá! A mim não me matam aí! Nós daqui a cinco anos, somos um país de velhos.
M.B: Ah ainda não somos?!
S.O: Ainda não, totalmente, mas põe lá mais cinco anos. Já somos, mas daqui a cinco anos somos um país só de velhos, porque a gente nova vai-se embora.

L: Existem pessoas que já não se querem reformar, preferem continuar a trabalhar?
M.B: Mas isso, para mim, é outra jogada…
S.O: Está bem, mas eu também me reformei aos 65 e continuo a trabalhar.
L: Como acham que vamos (Portugueses) estar daqui a uns anos?
M.B: Eu não quero pensar muito nisso, porque já tenho quase setenta (Risos).
S.O: Eu também não quero, porque tenho 75. O que é que quer que eu lhe diga aos 75 anos? Tenho esperança… adoro viver! Não sei o que me acontece amanhã, cai-me uma telha em cima da cabeça, eu sei lá.
Agora, se esta gente mais nova não tiver uma atitude qualquer de querer… são vocês, não somos nós, que temos 65 ou 67 ou 75 …

L: O que pode ser feito? Outro 25 de Abril?
M.B: Porque não.
S.O: Porque não.
M.B: Teria outras características…
S.O: Não era a mesma história, é outra história completamente diferente. Mas nós, apesar de tudo, acomodamo-nos muito… isto é uma chatice.

L: Acham que há uma visão muito errada da profissão de artista? Que ganham muito bem e têm boas vidas…
M.B: Alguns ganham.
S.O: Alguns ganham e alguns têm essas vidas, é uma percentagem pequena, mas alguns ganham e têm essas vidas. Não vou dizer que não, porque não é verdade, não somos é nós. Alguns ganham e têm essas vidas e espero que tenham a calma e o bom senso para poderem continuar, durante o resto… porque essa gente hoje tem uma idade muito nova. Há gente a ganhar bem e há gente que merece, com certeza.
Agora os grandes glamours das revistas, não se esqueçam que eles têm todos patrocínios e eu nem para a escova de dentes. Desde as malas, os sapatos os carros…
Eu vou, sim senhora, vou ao Augustus e à Buda, vou lá pedir emprestado, não tenho vergonha de dizer, depois devolvo. Mas eles têm patrocínios contínuos.
M.B: Eu posso dizer, a maior parte desse “fru fru” de glamour existe, porque existem já os meios apropriados para fomentar isso, que são as revistas cor-de-rosa.
S.O: Claro. A gente não tem dinheiro para aqueles fatos todos, aqueles sapatos, aquelas marcas todas. É evidente que não. Mesmo tendo dinheiro, aqueles fatos custam, quer dizer… mas é evidente que há patrocínios para tudo: para os perfumes, para os cremes, para os automóveis, para os sapatos, para as malas…
M.B: Para as joias…
S.O: Para as joias. Depois há uma outra falanche que não, que vai pedir, como eu sou capaz de pedir… mas não em continuidade. O carro é meu, mas é meu, não fui pedir emprestado. Não é “toma lá o carro um ano ou dois” e há. Ainda bem que têm, eu não estou a dizer isto com inveja.
O que vem nas revistas, quer dizer… é como aquelas fotos dos paparazzis, forma muito bem preparadas, com certeza. Eles estavam naquele sítio, na praia, atrás daquela árvore, apanhados ali de repente, por acaso … (tom irónico).
M.B: Tens toda a razão…
S.O: Alguém que telefona e diz fulano ou beltrano vai estar…. Por que há, porque existe, porque convém aparecer nas revistas. Se eu encontrasse alguém, atrás de mim, com uma máquina… ia a máquina, ia o paparazzi, ia tudo! Mas isso é uma coisa que existe, eu não estou a fazer uma crítica, estou a fazer um comentário. Não faço uma crítica, porque não tenho que a fazer, porque não aceito que me façam críticas a mim. Sobre esse aspeto, tenho uma grande dificuldade…

L: Pedem-lhe ajudas económicas?
S.O: Normalmente telefonam-me, sobretudo de instituições. Isso, normalmente, se eu posso… para crianças, para hospitais, eu faço. Isso pedem-me muito, é dia sim, dia sim, como borlas para várias coisas, borlas é pro bono. Fiz todas na vida, todas! Desde que comecei a cantar, fiz tudo…não me acusa a consciência de não ter feito uma… desde ser preciso cadeiras de rodas, a hospitais, tudo! Se eu olhar para trás, naturalmente, não fiz todas as que me pediram, porque se não, não tinha feito mais nada. Farei sempre que me pedirem, deste que seja uma coisa sustentável, em que eu acredite.

Como farei para a APAV, porque eu acho a violência doméstica uma das coisas mais drásticas, deste país… isso e a pedofilia. Eu capava-os a todos, portanto…capava-os e depois mandava-os para o Alentejo cavar, oito horas por dia, das oito da manhã às oito da noite. Dava-lhes o almoço, o jantar e a água… punha-os a cavar ali…. Tenho muito pouca capacidade de perdão, para esta gente… não tenho, não tenho nenhuma. Não percebo, não entendo, não quero perceber… não dá, não dá, de maneira nenhuma, não dá.

Aline Araújo; Pedro Emídio; Rute Fidalgo  

* Devido à sua dimensão, a entrevista encontra-se dividida em vários posts

quarta-feira, 26 de junho de 2013

"Há muito joguinho, muito pouco interessante, muito pouco inteligente..."


À Conversa com... Simone de Oliveira e Márcia Breia (Parte III)

L: Concorda com a nova lei das faturas?
S.O:  Para quê? Não serve para nada! Não serve para nada, filho. Eu para ter um desconto de duzentos euros, tenho de gastar em cafés e restaurantes dois mil e não sei quantos euros… tá doido. Não deve estar bom da cabeça, com certeza.
M.B: Esta lei da fatura vai penalizar, mais uma vez, as profissões pequenas… a biquinha, a bica, como eu costumo dizer. Vai ao café beber uma bica e uma madalena, quero fatura sim senhor, porque se eu tiver duzentos contos de fatura abatem-me… isto tem outro nome, chama-se fiscalizar! Estão-me a obrigar a mim a fazer o trabalho que devia ser feito pelos técnicos! Não sou eu que tenho de exigir, a um estabelecimento que me dê fatura. O estabelecimento … tem de estar na cabeça dele e em condições, está aqui a sua fatura. Não sou eu que tenho que ser fiscal.
S.O: Obrigam-nos a ser fiscais, quase de nós próprios. Isso é uma coisa muito complicada para mim também.

L: E, em relação, à nova lei dos arrendamentos, o que acha?
S.O: Reparem uma coisa, há prédios velhíssimos, há rendas a 50 euros ou 60 euros… agora, sim senhor, eu percebo que os donos desses prédios terão algum direito… agora, para uma pessoa que tem 350 euros de reforma, se se passar a renda para 400 euros… o que é que faz? Atira-se ao rio, não é?! Tinha de ser uma coisa bem pensada, bem estruturada. Aquilo que eu tenho sensação é que é tudo em cima do joelho. Eu percebo que há os prédios abandonados aí, porque as pessoas não têm dinheiro… Sabe o que isto é? É uma grande negociata! É uma grande negociata… agora, pobres das pessoas, por quem eu tenho a maior dos respeitos, eu detesto a caridadezinha, é uma coisa que eu detesto…
Mas eu pergunto a mim própria, como é que uma pessoa que pagou, toda a vida, quarenta ou cinquenta euros por uma casa e que, de repente, agora, tem de pagar 300 se tem de reforma 350…

M.B: Isto é tão confuso e, realmente, as pessoas estão tão perdidas que é assim… eu sei de casos de pessoas que têm rendas muito baixinhas, mas que poderiam ter bastante mais altas. Até porque têm casas de férias e outras coisas… Mas também, não é o caso da maior parte e o problema é que isto foi sempre um assunto que também está muito mal resolvido, porque eu ponho-me a pensar se eu herdasse um prédio de três andares na Baixa, que acontecesse a muito boa gente, herdaram do tio-avô que ainda tinha para lá o prédio, eu ficava apavorada. Vender?  Ninguém me iria comprar coisíssima nenhuma agora. Eu também ter um prédio, com rendas ao todo de cento e tal euros, os andares todos… se eu quiser arranjar a telha de cima e… a pessoa coitada, tem o direito “está-me a chover em cima e você é que é o dono do prédio” eu diria “Eu gostava imenso de a ajudar, mas eu também não tenho dinheiro para as minhas telhas”. Há situações que a pessoa também não sabe resolver. Efetivamente, havia rendas escandalosamente baixas, mas há caos e casos e isso é muito fácil de perceber quais são os casos.
Porque eu, neste momento, vejo, toda a gente, a esmifrar-se para fazer uma folhinha e aí já estamos mal, como portugueses… Como é que um Português olha para a folha do IRS e preenche, sentadinha, com toda a calma. Eu tinha de ter um curso, porque muito que eu queira perceber e por muito que eu queira ser intuitiva, não! É complicado…
Agora veja, as pessoas são vigiadas por essa mágica folha de IRS. Nas escolas, os miúdos tinham acesso a uma escolaridade mais baixa, se o IRS dos papás ou da mãe ou do encarregado de educação… há pessoas que realmente necessitam e há outras que realmente não necessitam. Agora o que se passa connosco, na maior parte dos casos e com toda a gente, é que todos querem necessitar. Também é um grande problema.
S.O: Ainda há pouco um senhor, na televisão, que apanha disto, daquilo e daqueloutro, precisava de 80 empregados, funcionários para a apanha, não sei se da azeitona ou se de alguma coisa assim, só que as pessoas que estão no fundo de desemprego queriam ir para lá e continuar a receber o fundo de desemprego… e desses 80 ficaram 6.

L: Gosta mais de Portugal antes ou depois do 25 de Abril?
S.O: Depois do 25 de Abril, evidentemente. Antes, não podíamos estar a ter esta conversa, começa já por aí. E o 25 de Abril e dar a liberdade a este país foi extraordinário, nem sequer tem discussão. Para mim, não se põe em discussão, 25 de Abril ou o que quiserem… liberdade sempre! Agora, liberdade com responsabilidade! Isso, às vezes, a liberdade em excesso deu, a seguir, uns disparates muito grandes, (Risos) isso deu, de várias maneiras… Em relação à liberdade, o meu espaço acaba, quando começa o seu, ter essa noção é fundamental. Agora, liberdade sempre!

L: Já que estávamos a falar de desemprego… o que é que acha que deveríamos fazer para combater o número de sem-abrigo, desempregados?
S.O: E você sabe? Eu sei tanto como você… Se a economia não andar, se não houver exportações… vai continuar a haver mais desemprego, mais sem-abrigo, vai continuar a haver mais tudo, porque as pessoas quando não têm nada roubam ou matam ou se matam, como vocês sabem, então em Espanha tem sido um caus. Como é que se arranjam empregos?... Eu não sei, sabes Márcia?
M.B: Não sei, mas é assim, os sem-abrigo é um problema que eu não consigo por emparelhado com os desempregados. Há sem- abrigos por opção e há sem-abrigos porque já eram pessoas sem nada, antes de qualquer crise que lhes assoasse. Quanto ao desemprego,  aquilo que eu tento perceber é se as empresas fecham. Põe os empregados… pelo menos dois terços  vai para a rua, esses desempregados deixaram de ter poder de compra,  sem poder de compra o comércio não funciona, o comércio não funcionando despede também os seus empregados, não funcionando o comércio não vale a pena fabricar-se coisas para os comerciantes, isto assim numa linguagem simplicíssima, como se fosse um traço . Não havendo industria não há, outra vez, colocação de pessoas qualificadas. E, para além disso, uma das coisas que a mim me apavora é uma espécie de chacina na classe média, que de repente, teve de pagar tudo, está com uma crise aos ombros superior, enquanto que há um mundo pobre e outro muito rico e depois no meio havia uma classe… que é a classe que faz mover os restaurantes, faz mover as lojas… quem compra aqui, acolá e acolí… essa classe tinha que existir e, não deveria ter sido, destruída como foi.
Toda a gente sabe, que há muito tempo, os subsídios de férias, de Natal… eram para as pessoas endireitarem qualquer coisa que tinham em divida … ou era a prestação mais alta do carro ou era qualquer coisa que tinham de comprar para os filhos, não interessa, o que fosse…
Se, de repente, por artes dos berliques e berloques isso não existe e de repente, porque foi de repente… diga-me lá, como é?
Além dos créditos bancários que têm de pagar, que são muitos, ficaram sem essa hipótese de terem… A Classe média tem tendência a desaparecer, foi absorvida. Uns não se aguentam e vão para baixo, os outros ficam para ali no limbo. Como é que de repente uma empresa não tem dinheiro? Isso eu não engulo!

L: Acham que existe um excesso de poder, por parte dos governantes?
M.B: O poder é um excesso, por si próprio. Há excesso de poder não, há decisões que o poder as autoriza e quando são contestadas, são viradas de tal maneira que parece que nós é que não devíamos ter feito aquilo porque está errado, eles é que tinham razão. Eu isso não … eu afogo muito com essas coisas, não sou capaz. Dá-me a sensação que percebo o joguinho, o joguinho. Há um grande jogo e há o joguinho e estes políticos que atualmente, não direi todos, há muito joguinho, muito pouco interessante, muito pouco inteligente, pouco culta.
S.O: Muito joguinho e muito joguinho, sobretudo, debaixo do pano também.
M.B:  Uma classe que não lhes interessa, absolutamente nada do que se passa com a cultura. Eles não sabem… se perguntarem àquela gente toda, quantas vezes foi ver uma peça, um filme, quantas vezes se sentou a ver um concerto… não vão, nem sabem porquê. A escravatura do número é o que se passa há três ou quatro anos.
S.O: Todos nós falamos da história dos recibos verdes… eu toda a vida trabalhei a recibos verdes em 55 anos. Nunca tive contrato com ninguém, não tenho subsidio de férias, não tenho subsidio de Natal não tenho nada.



 Aline Araújo; Pedro Emidio; Rute Fidalgo 

terça-feira, 25 de junho de 2013

"Nós temos uma capacidade de ajudar extraordinária"

À Conversa com Simone de Oliveira e Márcia Breia (Parte II)

L: Quem é que acha que são os culpados da crise, da situação em que nos encontramos?
S.O: Não vou dizer que é a senhora Merkel, se não dizem que eu digo uma coisa que é… O que é que quer que eu lhe diga? Houve muita coisa mal feita, mal pensada, portanto, coisas que as pessoas imaginaram que se podia fazer. Acho que gastámos, um bocadinho, a mais do que devíamos gastar, digo nós… nós próprios também, mas o próprio governo. O dinheiro acaba, não é?! As más decisões… penso que houve muitas más decisões, em determinadas alturas, neste país e não só.
Não sou uma mulher versada em política, a Márcia é muito mais do que eu. Não sou e não sei explicar porque é que isto está assim, gostava de perceber porque é que isto está assim, se a Márcia quiser dar uma ajuda …

M.B: O isto português ou o isto geral? Porque a sensação que eu tenho, é que o isto português tem muito a ver com a facilidade económico-financeira, que houve durante os anos 80 até aqui. Tem a ver com a banca, que abriu as portas, desmesuradamente, com lucros absolutamente exorbitantes para os créditos. Claro que do lado de quem pede, também há uma responsabilidade, mas é evidente que se passarmos 50 anos sem nada, ter qualquer coisa que se vislumbre…direito a teres uns bens, automaticamente, se te facilitam tudo, cedes, vais por aí fora…E depois há, efetivamente maus governantes e há uma coisa terrível, que a mim me parece que acontece, isso agora é a minha faceta politica, porque eu sou menos ingénua do que ela (Simone), nesse aspeto… A Alemanha tem uma hegemonia muito grande, na Europa e a Alemanha, o ano passado, acabou de pagar a sua divida de guerra, da 2ª Guerra Mundial… A Alemanha teve de pagar uma grande divida, como perdedora da 2ª Guerra Mundial, portanto, há que cobrar isso. A Alemanha é um país da Europa, com uma hegemonia enorme e com um grande poder sobre os outros países, talvez a França a seguir… o resto é a raia miúda.
O país é pequeno, teve problemas, efetivamente, mais olhos do que barriga. Bom… mas nem tudo foi mau, porque se conquistaram muitas coisas e as pessoas têm muito má memória. As pessoas desde 75 até esta parte viveram, tiveram acesso a coisas que não havia e aí eu estou como ela, eu não fui uma pessoa com necessidades materiais, tive que comer e tudo, estudei no liceu mas… tenho que dizer que, por exemplo, no campo não havia… ninguém comia manteiga e não havia leite, o leite que havia era para vender. Havia então algumas vaquinhas e algumas ovelhas… isto é a sério, não é romântico. Nem tudo foi mau, o progresso atingimos de uma maneira muito boa, agora dos anos 80 para cá, houve facilitismo tanto da parte dos políticos, governantes. O Politico pode não ser governante e ser honesto e ser sério e ter uma ideia… Nós somos políticos todos os dias, ao escolher, somos políticos!
Agora, na conjuntura europeia, eu acho que a Alemanha está aqui a cortar uma boa fatia do bolo, para si própria. Não tenho paciência nenhuma para a vassalagem à Alemanha, o que eu acho que este governo está a fazer.

S.O: Uma vassalagem absoluta, total, não sei se foi obrigado, pelo que está atrás…
Como é que se resolve? Eu sei lá…eu, às vezes, não sei como é que se resolvem as coisas aqui em casa (Risos). Está tudo ligado. Lá para trás como é que é? Já não é problema de comprar a marmelada é o problema de comprar as batatas e há quem não tenham nem dinheiro para as batatas…
Já não é problema da marmelada, toda a gente viveu sem marmelada, sem detergentes, havia sabão azul e branco… Nós, agora, é que se faltar o Tide ou qualquer coisa que valha, deitamos mãos à cabeça, que horror! Eu sou do tempo do sabão amarelo e do sabão azul e branco…
Não havia os Champôs, não havia nada dessas coisas… agora: Vê lá tu que acabou aquele Champô assim… qual é o problema? Lava-se ali na beira, só que vocês não sentem assim…já não pensam, nem são capazes de sentir assim.

M.B: Por um lado, felizmente.
S.O: Pois, ainda bem, ainda bem… ainda bem que há o champô e não sei o quê, mas depois se se fizer comparações, se se fizer comparações, Márcia…

M.B: Só que enquanto eu sou capaz de abdicar de tudo, para viver de outra maneira… Tanto posso viver assim, como viver no fundo. E vivo e adapto-me e tento não ficar na “coitadinha, ai Jesus”… a maior parte das pessoas, que nunca tiveram um background como eu e muitas pessoas da minha geração tivemos, não percebem e andam perdidas e eu sinto as pessoas perdidas mesmo.
S.O: Completamente perdidas. No entanto, você, tem aqui um exemplo do contrário disto tudo… há os concertos de todos os estrangeiros, eu não estou contra os estrangeiros, esgotam completamente…onde a tua neta quer ir, para novembro e já está esgotado.  Aqui começa a minha cabeça… vem aqui essa criança que se chama Justin Bieber, que é… tadinho… não canta, não é bonito, não é alto… Em dois dias… 18 mil pessoas… está tudo parvo a olhar para uma criança que é “anormal” ela não é “anormal”, pronto, tem à volta dela… os concertos esgotam todos. E o do Norte e o do Sul e o do Noroeste e o do Meco está tudo esgotado! E depois… ai que crise, ai que crise! Então? Porque os miúdos que vão, quem é que compra os bilhetes? Os pais, os tios, os avós…mas esgotam.
Também temos outra coisa, vem o banco alimentar, nós, em dois dias, damos duas toneladas de alimentos. Dizia a minha filha, com muita graça, que vive no Luxemburgo, no Luxemburgo nem num ano, eles davam uma tonelada de alimentos. Nós temos essa capacidade, também de dar, agora espero que isso seja encaminhado para quem realmente precisa. Pois… engolimos um bocadinho em seco.

M.B: Então aí é que eu não me meto, que nada sei…
S.O: Eu também não sei e, naturalmente, também não me apetece saber. Acredito que sim, acredito que sim.

M.B: As pessoa que eu conheço, que lidam com essas coisas, de perto, são pessoas em quem que confio.
S.O: Claro, isso… nós temos uma capacidade de ajudar extraordinária, isso é um facto, isso temos. Mas… houve um tempo em que isso não era assim… ai tens um frigorífico? Eu quero ter dois. Somos muito assim, o vizinho tem aquele carro… vá ao parque automóvel da Cidade Universitária… quem é que comprou aqueles carros todos, se está tudo a estudar? Eu não fui, não estou lá, alguém comprou…são os pais, os tios. Portanto, houve essa fase toda, agora está tudo muito aflito ai, ai, ai, ai…
M.B: Os anos 80, abriram umas portas absolutamente falsas.
S.O: Fez-se empréstimos às pessoas sem lhe perguntar: Então e você pode pagar? Porque também toda a gente pensou que ia continuar assim.

Agora como é que se resolve? Não faço a menor ideia… 

Aline Araújo; Pedro Emídio; Rute Fidalgo

* Devido à sua dimensão, a entrevista será dividida em vários posts. 

segunda-feira, 24 de junho de 2013

"Eu acho que nasci livre, mesmo quando não havia liberdade"

 À Conversa com... Simone de Oliveira e Márcia Breia (Parte I )



O LusOnda, esteve à conversa com Simone de Oliveira e Márcia Breia. Uma conversa que teve como tema central a economia, mas passou pelas mais diversas áreas como a política e as artes.  

Ambas, revelaram não saber quais as soluções a aplicar à conjuntura económica portuguesa, desmistificando ainda a profissão de artista e a visão que os portugueses têm dos mesmos.                    
                                      
LusOnda: O seu percurso é conhecido, pelo mais diverso público, rádio, televisão, tem um livro, lançou recentemente um CD… A nossa questão é a seguinte: algum dia pensou ou gostava de ser, por exemplo, Ministra das Finanças?

Simone de Oliveira: Deus me livre! Alguma vez na vida? Nossa senhora…não,não,não. Nunca quis ser outra coisa, a não ser aquilo que sou. Costumo dizer que me chamo Simone e canto cantigas. Em 55 anos eu fiz tudo: representei, cantei, escrevi, tive na vossa posição, chorei não chorei. Agora, ser Ministra do que quer que fosse, nunca na vida! Até porque eu não podia ser ministra porque às três por quatro abria a boca e era presa ou metia algum ministro num sítio qualquer. Não podia ser, não podia ser…
Tudo o que metesse politica, para mim era sempre muito complicado. Eu acho que nasci livre, mesmo quando não havia liberdade. Vocês nasceram livres, isso é ótimo, extraordinário e brilhante. Eu nasci antes de haver liberdade, por isso era muito complicado, para mim, seguir qualquer área da política. Não dava com o meu feitio, não dava com as mentiras, com as aldrabices, com aquilo que não se diz, o que está escondido, com a não verdade, com o enganar, não sou eu.

L: E não acha que deveriam ser essas pessoas a estarem na política?

S.O: (Risos) Mas nós é que escolhemos, nós votamos. Uma coisa que podemos fazer é votar e quando votamos acreditamos, com certeza, num determinado programa, em determinadas pessoas. Se elas falham depois, eu penso que…depois é muito complicado, porque, normalmente, elas falham. Nós acreditamos nas pessoas… o que acontece com os amigos. Acreditamos num amigo, que nas costas nos dá uma grande facada, muitas vezes, infelizmente.
Portanto, eu quero ainda acreditar, no meio disto tudo, que haverá gente que quererá fazer as coisas com uma certa lisura. Depois ou o contexto não ajuda ou o poder fascina, sobretudo o dinheiro fascina muito e o poder, as duas coisas juntas são terríveis.


L: Mas imagine que era Ministra… que medidas tomaria para diminuir o desemprego?

S.O: Não lhe sei responder, não são coisas que se possam responder desta maneira. Para ser ministra tinha que estar dentro dos assuntos, dentro dos dossiers e não é uma coisa que eu lhe diga: eu fazia isto, fazia aquilo, fazia aqueloutro. Não sei como é que se faz. Espero que hajam meia dúzia de cabeças, que sejam capazes de resolver esta situação, não só aqui como na Europa, porque isto é um contexto europeu, não é só um contexto de Portugal. Mas o que se pode fazer ou como é que isso se resolve… penso que a vossa geração tem muito mais a ver com isso do que eu. Eu tenho a idade que tenho, sou avó, portanto não sou eu que vou resolver coisa nenhuma. Agora vocês é que têm de resolver, partindo do vosso princípio, se é que ainda têm sonhos. Porque eu acho que vocês acabaram por perder muito do que nós tínhamos, a nossa geração, que era o sonho. Nós sonhávamos com a liberdade… o homem não tinha ido à lua, não havia telemóveis, não havia máquinas de filmar, não havia nada, sonhávamos com isso tudo.
Vocês têm isso tudo e, às vezes, dá-me a sensação que não sabem utilizar isso a vosso favor, é o que eu penso é o que eu acho. Aliás, há meia dúzia de anos atrás, no Porto, vieram ter comigo meia dúzia de raparigas Universitárias que me disseram isso exatamente. “Nós não tivemos aquilo que vocês tiveram”, o sonhar, o querer, o querer poder conversar, poder andar na rua sem andarem sempre atrás de nós, o poder acender um cigarro e não nos tirarem o isqueiro, era preciso licença para o isqueiro, coisas que a vocês não vos passam pela cabeça, não é?! E que nós, aliás, tenho aqui presente uma grande amiga minha, a Márcia Breia, uma das grandes atrizes deste país, que é um pouco mais nova que eu mas que passou por essas fazes todas e isso vocês, dá-me a sensação que vocês para irem para a frente, têm de ir um bocadinho para trás. Então como é que foi lá para trás? Como é que, realmente foi? Como é que era?
Vocês vivem neste dia-a-dia: está tudo muito mau, está tudo muito mau, mas depois ir lá para trás… Quem é o Aznavour? Ninguém sabe quem é. Ninguém sabe quem foi o Aznavour, o Renaissant, a Piahf…


Márcia Breia: Era Francês…

S.O: Era Francês … Qualquer dia ninguém sabe quem foi o José Carlos Ary dos Santos ou o David Mourão Ferreira. Eu acho que vocês querem muito para lá, mas têm de ir um bocadinho mais atrás e perceber as coisas. Continuo a dizer que vocês não sabem nada do que foi a Guerra de África. O que nos trás até aqui, a esta liberdade, está lá para trás, nos nossos mortos todos ou não mortos ou mentiras ou não mentiras. Vocês não sabem nada disso… porque não vos ensinaram, porque não foi posto nos liceus, porque nunca se chegou ao 25 de Abril. As pessoas chegaram ao 7º ano e a história não foi contada…

Aline Araújo; Pedro Emídio; Rute Fidalgo 
*Devido à dimensão da entrevista, a mesma será dividida em vários posts. 

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Economia: Resumo da Semana


Investimentos na indústria extrativa em Moçambique atingiram mais de US$ 2,5 biliões de dólares em 2012

Os investimentos na indústria extrativa em Moçambique dispararam de 184 milhões de dólares em 2005 para mais de 2,5 biliões de dólares em 2012, anunciou quarta-feira (12), em Maputo, a ministra dos Recursos Minerais, Esperança Bias. Graças a estes investimentos, Moçambique dispõe actualmente de um acervo importante de informação geológica, disponível a todos os que queiram investir na actividade geológica e mineira no país.

Saldo das relações com Portugal inverte-se a favor de Angola

O saldo da balança comercial entre Angola e Portugal, tradicionalmente favorável a Portugal, o principal fornecedor da economia nacional, inverteu-se, o que acontece pela primeira vez, no primeiro trimestre deste ano. Com efeito, Angola exportou para Portugal produtos no valor de € 807,3 milhões, o que representa uma subida de 40,3% face aos € 575,6 milhões dos primeiros três meses de 2012. No mesmo período importou de Portugal produtos no valor de € 667,8 milhões milhões, o que traduz uma subida de 7,5% face aos € 621 milhões apurados no primeiro trimestre de 2012.

Crescimento angolano em "estado estacionário" até 2017

A economia angolana pode estar a aproximar-se do "estado estacionário", se a taxa de crescimento do PIB, entre 2013-2017, se mantiver entre os 5,5% e os 7%, conforme previsões do Fundo Monetário Internacional e do Governo, respectivamente. Esta é uma das conclusões do Relatório Económico de Angola 2012, realizado pelo Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola,  apresentado em Luanda.


Rute Fidalgo


quarta-feira, 12 de junho de 2013

Breaking News: Economia

Cidade Velha recebeu 15 mil turistas, só este ano
A primeira cidade construída por portugueses, na África Ocidental, recebe no próximo dia 28 de Junho, um colóquio internacional, para analisar os ganhos da Ribeira Grande, em Cabo Verde. Este colóquio contará com vários especialistas, entre eles, portugueses e brasileiros.
Esta cidade recebeu, este ano, 15 mil turistas, podendo vir a competir com outros pontos como Boa Vista e Sal.
A Cidade Velha completa, este mês, quatro anos, desde que foi distinguida, pela UNESCO, como Património da Humanidade.

Diversificação da Economia em estudo
Abraão Gourgel, Ministro da Economia Angolana, anunciou que o ministério em questão irá elaborar um estudo, sobre o impacto que a diversificação tem no desenvolvimento económico.
O mesmo considerou, que o principal objetivo desta diversificação é a criação de postos de trabalho produtivos, de modo a que estes permitam inserir, no mercado de trabalho, a maior parte da população ativa.

Reforçou, ainda, que o aumento do emprego vai gerar rendimentos adicionais, estes, por sua vez, reforçam a procura dos produtos nacionais, que respondem ás necessidades da população. 

Pedro Emídio 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Cabo Verde tem a água e a electricidade mais cara do mundo

Renato Lima, presidente da Agencia de Regulação Económica cabo-verdiana, julgou os preços aplicados à água e à electricidade em Cabo Verde, sublinhando que são dos mais elevados no mundo.

O presidente falou aos estudantes do curso de Economia do Instituto Superior de Ciências Económicas e Empresariais (ISCEE), no Mindelo (na Ilha de São Vicente), e apresentou-se critico em relação aos custos que este povo gasta nos dois bens essenciais, ironizando que este indicador coloca o país no “topo de alguma coisa”.

Renato Lima, notificado pela Inforpress, afirmou  que, só na Cidade de Praia, existem perdas de 50% de água, por causa do mau estado da rede.

O economista explica aos estudantes do ISCEE que, na pratica, “não existe regulação financeira” em Cabo Verde.



Inês Sabino

domingo, 9 de junho de 2013

Memórias perdidas: Os pupilos do Kuduro

Há seis anos atrás, nascia um promissor grupo de dança em Portugal, três rapazes que, de um momento para o outro se transformaram num fenómeno. Pisaram palcos, espalharam magia e surpreenderam todos à sua volta. Esta é a história de Hugo, Fábio e Pedro, os jovens que deram vida aos "Pupilos do Kuduro"
.
Se regredirmos à década de oitenta, momento alto da história da musica, a par da ascensão de estrelas mundiais como Michael Jackson e Madonna vemos nascer, no continente Africano um novo estilo de dança: O kuduro.
Anos mais tarde, o sucesso caracterizado pela simplicidade e bom humor deste género musical chegou a Portugal e a adesão de miúdos e graúdos não passou indiferente aos amantes da dança
.
Tudo começou na Escola Secundária, onde Pedro e Hugo se conheceram.
"Tinha acabado de chegar ao décimo ano e reparava que nos intervalos o Hugo estava sempre a dançar. Como estávamos em época de listas, decidi ir ter com ele e sugerir-lhe criarmos um grupo de Kuduro", disse Pedro.
Não se conheciam, mas o talento de Hugo não ficava indiferente a todos os que por ele passavam.
"Eu já dançava há algum tempo, com a minha turma de Artes, sempre tive uma paixão enorme por este estilo de dança".
A proposta foi aceite, mas faltava um elemento no grupo.
"O meu primo também dançava e achei que seria uma boa ideia convidá-lo para fazer parte deste coletivo." contou Hugo.

Pouco tempo depois, já os três dançavam juntos nos intervalos, mas estava em falta ainda um nome para o grupo.
"Reunimos-nos e achamos que Pupilos do Kuduro seria o nome ideal. A nossa inspiração na escolha foram os Pupilos do Exercito. O nome "pupilo" remete para aspirante a qualquer coisa, e na verdade era isso que nós éramos "aspirantes" a bailarinos"
O grupo já estava formado, e a escolha não podia ter sido mais acertada. Os intervalos pareciam pequenos ao pé da vontade de dançar. Por entre as gargalhadas surgiam movimentos únicos e expontantenos que a pouco e pouco os foram caracterizando.
Antes ainda da primeira atuação na escola, Elisio e Leo, que já dançavam para uma lista, repararam nos três rapazes e propuseram-lhes juntarem-se a eles e dançar os cinco pelos Pupilos do Kuduro.
No primeiro ano, as listas da escola foram um sucesso. Gravaram um vídeo que alcançou cerca de meio milhão de visualizações no Youtube e que, inesperadamente lhes ofereceu uma visibilidade extraordinária para um grupo de poucos meses.
"Não estávamos nada à espera de que aquele nosso vídeo fosse visto por tantas pessoas", afirmou Hugo

Alguns meses depois, novamente época de listas, as atuações já não se resumiam à escola que frequentavam, agora todas as escolas de Sintra os convidavam para dançar. "Chegamos a ter duas atuações por dia em escolas diferentes".
A aceitação do público crescia a cada dia que passava.
Dançaram no Casino do Estoril, em discotecas e colónias de Férias. O sonho estava a tornar-se real e o tempo passava a correr.
"Em 2008 enviei um e-mail aos Buraka Som Sistema, a falar-lhes do nosso grupo. Sinceramente não esperava feedback da parte deles, mas como não custa tentar...", contou Hugo
Contra as expectativas, o conceituado grupo respondeu e as noticias não podiam ser melhores: um convite para dançar num dos maiores festivais do país.
Ao mesmo tempo que o grupo ascendia, juntou-se um novo membro: Osvaldo, também ele bailarino de Kuduro há já algum tempo.

Os pupilos do Kuduro, agora com dois anos de existência, eram convidados para o Optimus Alive. Um sonho tornado real, para seis jovens que dançavam por pura diversão.
Foi um mês depois,no dia onze de Julho de 2007 em Algés, que os Pupilos subiram ao palco. O cartaz do dia era diversificado: De Bob Dylan a John Butler, focando claro o fim da noite, com Buraka Som Sistema.
Eram cinquenta mil pessoas a assistir e o nervoso miudinho não lhes saia do corpo.
"Estavamos todos do lado direito do palco, muito concentrados na musica. Tinhamos que entrar num minuto especifico, nem dava para pensar em mais nada"
A entrada foi explosiva. Vinte minutos depois da atuação dos BSS entraram os seis e deixaram ao rubro todo o publico presente no recinto. Acompanhados de mascaras que lhes escondiam a cara, fizeram o que de melhor sabiam fazer e o resultado estava à vista.
"Acabamos a nossa atuação e voltamos para dentro. Correu tão bem que o Condutor nos convidou para voltarmos a dançar na estreia da música "wegue wegue" dos Buraka."
Era um sonho tornado real. De um momento para o outro a vida tinha-lhes mudado. Do simples grupo que dançava na escola, os Pupilos do Kuduro, começavam a ser reconhecidos por todos os jovens que ficavam boquiabertos face aos movimentos que faziam transparecer.
Estiveram no backstage, contactaram com artistas como o Pacman dos Da Weasel, Deise Tigrona, Tekilla...
Os minutos seguintes estreavam um êxito e a responsabilidade era acrescida. A felicidade era desmedida e nem os nervos tomaram conta do freestyle a que os seis rapazes deram vida até ao final do concerto.
Quando desceram do palco, o feedback parecia ainda mais real.
"Lembro-me de estar a passar pelas pessoas, e vir ter comigo uma menina, acompanhada pela familia, a chorar e a pedir-me a minha mascara. É uma sensação unica, senterires que és reconhecido por fazer aquilo que gostas. É a melhor recompensa que podemos ter", confidenciou Pedro.
Depois do concerto a projeção aumentou. Os pupilos eram convidados para inúmeros espetaculos, a carreira estava numa ascenção constante.

A par da fama e convites insessantes para atuações, no interior do grupo faziam-se sentir alguns desentendimentos, ideias diferentes.
A espontaneadade caracteristica dos Pupilos do Kuduro parecia dar lugar a movimentos maquinizados. A simples paixão pela dança estava a tornar-se quase uma obrigação profissional. Afinal, o grupo tinha sido criado com bases muito claras: humor e diversão, que pareciam estar a desaparecer.
Pedro foi o primeiro a saír.
"Eu sempre disse que queria fazer do Kuduro um hobbie. À parte disso, sempre quis ter a minha vida própria .O destino que queriam impor ao grupo ia contra os objetivos iniciais."
Já sem Pedro, o grupo percorreu o país de Norte a Sul, chegando mesmo a fazer um Show oficial dos Pupilos do Kuduro, em Rio De Mouro.
Apesar do sucesso do grupo, a diferença de ideias mantinha-se e tornava-se insustentável.
Alguns meses depois, também Hugo abandonara o grupo, e apesar das tentativas de reconsideração da atitude tomada, o jovem manteve a sua ideia.
"Para mim paixão é diferente de profissão. Em vez de haver o simples gosto pela dança começava a haver um esforço para a sua realização. Sempre levamos este trabalho de uma forma natural e emocionante e nunca como uma obrigação"
A par desta conjuntura, Fábio começara a dedicar-se a um outro estilo de dança, que conciliava com o grupo de Kuduro, o que não agradava certos membros dos pupilos.
Agora, sem dois dos seus grandes pilares, os pupilos pareciam estar a desmembrar-se: os ideias pelos quais se regiam eram outros, a motivação desaparecia a cada dia que passava.
Não levou muito tempo até Fábio tomar a mesma decisão que os amigos e saír.
Os três elementos fundadores do tão conceituado grupo de dança, estavam a abandonar o projeto. Não por vontade própria mas sim porque aquele grupo já não era o que um dia contruiram na escola secundária. Os objetivos tinham sido alterados, as prioridades já não eram aquelas que tinham construido. A criatividade e espontaneadade tão carateristica era agora apenas uma insessante busca pela fama.
Passados seis anos, e apesar de todas as alterações, o grupo resiste: Osvaldo, Elisio e Leo são os bailarinos e as atuações continuam.
Na Internet, os dados referentes a 2006/2007 já não se encontram disponíveis. O motivo, ninguém o consegue entender, nem os próprios fundadores.
"Não faço a minima ideia de qual o motivo para os videos terem saido da Internet. Acho triste, pois eram memórias que agora estão apenas guardadas nas nossas mente". A verdadeira história deste grande grupo de Kuduro é esta, contada por nós, que lhe demos vida. Apesar de tudo, nunca desejámos mal aos membros atuais, muito pelo contrário, só queremos o seu sucesso e felicidade"

Hoje, 2013, Hugo e Fábio acompanharam o sonho e são os dois elementos do grupo 2K, presença assídua na discoteca Orquidea. Os projetos futuros são muitos, e a vontade de os concretizar maior ainda. Pedro seguiu aquilo que sempre quis: produção musical. O "bichinho" pela musica que desde sempre o acompanhou continua presente e é assim que projeta o seu futuro.

Ana Rita Amorim

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Revista da Semana

Angola - Presidente de Angola concede a primeira grande entrevista em 22 anos

José Eduardo dos Santos, lidera o país há mais de vinte anos, e há vinte e dois que não dava uma entrevista. Esta semana decidiu romper o silêncio. Deu uma entrevista exclusiva à SIC, em Luanda, onde fala da transição política, e da economia do seu país. Assim como das relações com Portugal, com o Brasil, com a China e com Israel.

Cabo Verde – “Filú” vai liderar bancada parlamentar do PAICV

Felisberto “Filú” Vieira, deputado e vice-presidente do PAICV, deverá substituir José Manuel Andrade enquanto líder da bancada parlamentar da maioria no fim do mandato deste, que termina em Setembro deste ano. Os apoiantes de Felisberto Vieira, já se movimentam para que a mudança se antecipe, e aconteça antes do debate sobre o Estado da Nação. No entanto, José Maria Neves, presidente do PAICV, avisa que em Julho será avaliado o desempenho do atual líder e, “se for necessária a mudança, fá-la-emos”.

Moçambique – PR promulga Lei que cria novas autarquias

O Presidente da República, Armando Emílio Guebuza, no uso das aptidões que lhe são concedidas pelo número 1, do artigo 163 da Constituição da República de Moçambique, decretou e mandou publicar a Lei número 11/2013 referente à criação de novas autarquias.

Guiné-Bissau – Remodelações na ANP

O novo Governo da Guiné-Bissau vai ter três ministros de Estado, de acordo com a nova orgânica divulgada hoje em Bissau através de um decreto do Presidente da República de transição, Serifo Nhamadjo.

Cláudia Évora

Portugal, o país preferido

Eles estão por a toda a parte. Há imigrantes brasileiros por cada metro quadrado, alguns legais, outros nem tanto. Na Tapada das Mercês, bem no centro da Linha de Sintra, existem lojas fundadas por estes imigrantes porta sim, porta não. Uma destas lojas pertence a Grace Santos, proprietária do Café Mirante à cerca de um ano. Aqui param vários brasileiros e portugueses, que vêm á procura das especialidades do Brasil, o único tipo de alimentos que a proprietária comercializa no estabelecimento. Grace, residente no nosso país à doze anos, tem um curso de cabeleireira, mas a necessidade falou mais alto e ela viu-se obrigada a trabalhar em qualquer coisa. ‘O imigrante não pode pensar em trabalhar naquilo em que estudou, ele quando vem tem que pegar em qualquer coisa.’, explica a mesma, com o característico sotaque. 
Já Ivone Peiptz, nascida no país carioca mas crescida nos Estados Unidos da América revela que não tinha muita vontade de vir para Portugal, decisão que fora tomada devido ao marido. Gosta de Portugal, ao contrário do sobrinho, de 21 anos, que regressou ao Brasil recentemente. Com um curso para técnico oficial de contas, Ivone conta que o sobrinho ingressou no nosso país sobretudo para estudar e trabalhar ao mesmo tempo. Não conseguiu, devido à dificuldade actual em arranjar emprego. ‘Além disso, ele acha que a vida no Brasil é muito mais divertida, é mais a cara dele. As pessoas são muito mais soltas no Brasil. E também ele lá pode estudar e trabalhar numa firma com contrato, não é como aqui.’, explica. E tal como o sobrinho de Ivone, Mara Vieira também sentiu grandes dificuldades em arranjar emprego. Residente em Portugal há quatro anos, a cabeleireira conta que esperava melhor do nosso país. ‘Vim para viver melhor, uma vez que a economia portuguesa é muito mais forte, mas estou um pouco desiludida. Esperava um país melhor.’, revela.

Mas nem todos os imigrantes saem do Brasil devido a dificuldades financeiras. Que o diga Anne Oliveira, filha de uma portuguesa. Foi um pequeno sequestro que ditou o destino. Em 2004, a mãe de Anne fora sequestrada em pleno Rio de Janeiro, motivo pelo qual levou a portuguesa a desenvolver Síndrome de Pânico, uma doença que faz com a pessoa tenha vários ataques de pânico por dia. A perturbação fez com que a mãe de Anne sentisse necessidade em passar uns dias em Portugal, com a família. A segurança que o nosso país oferece encantou-a de tal forma que, de repente, a mãe de Anne propôs uma mudança radical para Lisboa. Porém, os primeiros meses foram um pouco difíceis para Anne e a sua família. ‘Não tinha um único amigo por cá e se me virassem de cabeça para baixo não caía uma moeda de cinquenta cêntimos. Estava habituada a ter mesada e todo fim-de-semana correr pro shopping para comprar roupas e de repente tinha que comprar casacos de inverno e botas na feira.’, relembra Anne, que tinha uma vida abastada antes de vir para Portugal. Vida esta que a família de Anne recuperou. Em 2011, a mãe de Anne foi promovida, o que permitiu o regresso à vida confortável de outrora.

Língua, clima, segurança, poder de compra são os principais factores de escolha por Portugal, de acordo com os entrevistados. ‘Muitos brasileiros fazem a conversão entre euro e o real (a moeda do Brasil) e acham que Portugal é uma mina de ouro e que voltarão para o Brasil milionários depois de passarem uma temporada por cá. O que é, claramente, um mito.’, conta Anne, que em breve regressará ao país de origem com o namorado, que recebeu uma proposta de trabalho para o país carioca. Anne é a única entrevistada que mostra entusiasmo em regressar ao Brasil. Ivone até pondera sair de Portugal, mas só se for para voltar à América do Norte. Já Grace e Mara não poem essa hipótese em questão. ‘Se o café fechar, eu pego em outra coisa. Voltar eu não volto. Além disso, o meu filho é praticamente português, está integrado, não tem ligação nenhuma com o Brasil, não ia querer voltar. E depois tem o que está aqui na minha barriga, esse vai ser português’, conta Grace, grávida do segundo filho. E são os filhos que também constituem um entrave ao regresso de Mara. ‘O meu filho adaptou-se bem, ele nem quer voltar. E eu também só voltava se ficasse desempregada.’, revela Mara, que teve dificuldades em se adaptar ao nosso país, ao contrário de Anne que se adaptou muito bem a Portugal, apesar de sentir algumas discrepâncias entre os dois povos.

‘E a crise’? Ivone Peiptz acredita que ela não irá acabar, mas Anne Oliveira não partilha dessa opinião, achando que a conjuntura terá um fim, apesar de ainda estar longe. ‘Acho que ainda vai demorar uns bons anos para tudo voltar aos eixos, mas sim, acredito que conseguiremos sair do buraco’, conta a estudante de 25 anos.



Rute Fidalgo

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Agenda Cultural

De 6 a 13 de Junho



7 de Junho
Doudou Nganga
Café Tati - a partir das 22h
Entrada livre

7 de Junho
Ana Firmino
B.leza - a partir da meia noite
Entrada: 10€ (consumo incluído)

8 de Junho
Noite Intercultural Nepal/ Guiné-Bissau
Sede de Associação Solidariedade Imigrante - a partir das 20h
Entradas a 5€

8 de Junho
Doudou Nganga
B.leza - a partir das 22h
Entrada a 6€

8 de Junho
Roots - Dança inspirada na Cultura Africana
Auditório Municipal Ruy de Carvalho - a partir das 21.30h
Entrada livre

8 de Junho
Amazônia Festival
Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve
Entrada livre

8 de Junho
Novas Tendências Brasileiras - Festa da Música Brasileira
Espaço Brasil - a partir das 22h
Entradas a 10€

9 de Junho
Exposição Itinerante Lygia Clark
LX Factory
Entrada livre

9 de Junho
Festa da Música Brasileira
Espaço Brasil - a partir das 18h
Entradas a 10€



Iolanda Rosa

Futebolista morto na Costa do Marfim

Um ataque a um autocarro que transportava uma equipa de futebol da segunda divisão resultou num morto e 23 feridos graves.

Tudo aconteceu na noite de terça para quarta-feira na altura em que o autocarro que transportava a equipa ES Bafing, da Costa do Marfim voltava de um jogo para o campeonato. O autocarro foi alvo de uma emboscada por parte de um grupo armado. A insegurança e os confrontos têm aumentado gradualmente desde o inicio da crise politica em 2011. 

Cátia Martins

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Polícia angolana nega envolvimento na morte de dirigentes da UNITA

A Polícia Nacional de Angola refutou as acusações da UNITA, principal força da oposição, de que estaria envolvida na morte de dois dirigentes locais do partido, no fim-de-semana, no município de Cacuaco, Luanda.
Num comunicado citado pela agência Angop, a Polícia Nacional considera as acusações da UNITA ( União Nacional para a Independência Total de Angola) “gratuitas”, rejeita-as e admite levar o caso à Justiça.
O segundo comandante-geral, Paulo Almeida, também se pronunciou. Disse que a corporação está a investigar a autoria e motivações dos assassinos dos dois dirigentes – António Zola Kamuku, secretário comunal do Kikolo, e Filipe Sachova Chakussanga, inspector municipal do partido no Cacuaco – e desligou os casos das motivações políticas que lhes são atribuídas pela UNITA. Refutou também o envolvimento de agentes.“Até ao momento não temos razões para atribuir estes crimes a alguma motivação que não seja passional, ajustes de contas ou de carácter social”, disse, citado pela Angop. “A UNITA sempre acusou terceiros por qualquer morte, até por doença, de modo que isso não soa a estranho. Morreram, talvez, por qualquer situação delituosa que ocorreu, mas não tem nada a ver com a acção da Polícia Nacional.”
João Ribeiro

Festas de Lisboa’13- Andar em festa

Junho é um mês de alegria, sardinhas e festas.
E no meio de uma programação recheada, acontecem os Microbailes.
São bailes móveis, que acontecem em lugares improváveis, no meio dos  largos e ruas, destinados a todos aqueles que por ali passam e queiram dançar ou só ouvir boa música.
É uma oportunidade de diversão para toda a família, que decorrerá nos dias 7,14,21 e 28 de Junho, das 19h30 às 21h, e ainda nos dias 4 e 6 de Julho, e o acesso é gratuito.

7 Jun
Rua do Benformoso, nº 270 -
Largo da severa
14 Jun
Rua da cruz aos poiais, n.º 25 -
Rua da Boavista c/ o Beco da Boavista
21 Jun
Cimo da calçada da Bica Grande -
Travessa do cotovelo
28 Jun
Rua de santa Justa, n.º 5 -
Largo da madalena
-
4 Jul
Mercado da Ribeira
6 Jul, 21h30 > 23h
“Bailão” no Largo de S. Domingos

Aline Araújo


terça-feira, 4 de junho de 2013

Presidente de Angola dispensa comandante da polícia de Luanda

José Eduardo dos Santos, presidente de Angola, dispensou a comissaria-chefe Elizabeth Ranque Franque, que pertencia à Polícia Nacional de Luanda.

                A demissão ocorreu esta segunda-feira, depois de um fim-de-semana violento em Luanda que acabou em cinco mortes e a que o principal partido da oposição, a UNITA (União Nacional para a Independência Total), atribuiu contornos políticos.

            Três agentes foram assassinados, na madrugada de sábado, no município de Cacuaco, Luanda. Ainda não se sabe quem foi o responsável pelo crime. A UNITA culpou a polícia de ter morto dois dos seus dirigentes em Kikolo, Luanda, na noite de sábado.

            A UNITA colocou um texto no seu sítio da internet onde atribuiu a um militante de Cacuaco a afirmação de que se estava perante uma “reedição da caça ao homem” para a “eliminação seletiva dos militantes” do partido. Também atribuiu a um “observador desconhecido” a declaração de que a mortes dos polícias poderia “ser usada como pretexto para a eliminação dos quadros fortes da UNITA", em Luanda.

            Elizabeth Ranque Franque também era delegada provincial do Ministério do Interior. A sua exoneração vai obrigar a alguns arranjos nas estruturas da chefia da Polícia Nacional. A antiga comissaria passa a ser conselheira do comandante geral da Polícia Nacional, Ambrósio de Lemos.

            O comissario António Maria Sita é o novo comandante provincial de Luanda, que foi dispensado do cargo de comandante provincial e delegado do Ministério do Interior na província do Cunene.

Inês Sabino

A Empresária do Axé

Ivete Maria Dias de Sangalo Cady, é a atual embaixadora da ONU contra o tráfico de seres humanos. É cantora, compositora, atriz e modelo, mas, existe uma faceta que poucos conhecem: é empresária. Estima-se que o seu património ronde os 132 milhões de Reais. 

É proprietária da produtora Caco de Telha, que já faturou mais de oitenta milhões de Reais, ligada a diversas áreas de entretenimento desde a produção de eventos, gravação de discos, e organização de espetáculos. Com esta produtora, emprega 220 trabalhadores. 

Para além disto, possui um trio- Demolidor Y (Camião adaptado, com equipamento sonoro, para a apresentação de música ao vivo), o Bloco e camarotes, no carnaval do Brasil, Cerveja e Cia, e é sócia do Bloco Coruja.

Num futuro próximo, Ivete planeia criar uma fundação, para apoiar os mais necessitados e construir uma casa de espetáculos, na Bahia.

Vencedora de vários prémios, conta com vinte anos de carreira, é dona de sucessos como Festa e Poeira. Bate recordes mundiais de vendas de CDs e DVDs e é a única artista a participar em todas as edições do Rock in Rio Portugal.

Ivete Sangalo nasceu em 1972, no Juazeiro, Bahia. É casada com Daniel Cady, nutricionista, do qual tem um filho. 

Pedro Emídio 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Guiné-Bissau: Rui Barros é considerado, pela Comissão Executiva do PRS, responsável pela “postura unilateral"

Segundo a Comissão Executiva do Partido de Renovação Social (PRS), Rui Duarte Barros, Primeiro-ministro de transição, é o responsável pelo que este considera “pouco sentido de Estado, declarado por uma “postura unilateral”.

Esta acusação do PRS surgiu numa nota de imprensa, com a data de 30 de Maio, assinada, justamente, pelo Presidente do partido, Alberto Mbunhé Nambeia.

Esta atitude do PRS deve-se à carta dirigida pelo Primeiro-ministro de transição, Rui Duarte Barros, à Direção Superior do partido. Esta tinha o pressuposto de obter uma reação sobre as pastas ministeriais atribuídas ao PRS, no quadro da projetada remodelação governamental em curso.

No comunicado feito pelo PRS afirmava o seguinte, “A Comissão Executiva, além de discordar totalmente da proposta do Primeiro-ministro, lembra que a metodologia de repartição contida na proposta, agora apresentada, não tem minimamente em conta o Memorando de Entendimento assinado entre o PRS e o PAIGC, na presença da Comunidade Internacional, que não só o apoiou como ainda se congratulou com a referida iniciativa”.

O partido comunicou ainda que não poupará esforços no sentido de tornar exequível o retorno à regularidade constitucional, fazendo um apelo à Comunidade Internacional para se manter atenta às manobras, catalogadas como “obscuras que manifestamente não estão a velar pelos superiores interesses da nação guineense nesta remodelação governamental”.

A Comissão Executiva do PRS, relativamente aos deputados da bancada do PRS e do PAIGC, reafirmou a cooperação à postura responsável de ambos os grupos parlamentares, na adoção de importantes instrumentos jurídicos de transição, designadamente o Pacto de Transição, o Roteiro de Transição e o Acordo de Princípios, comprovando, deste modo, a sua maturidade política ao prezar o acordo obtido nos encontros já realizados.

O PRS estimulou as entidades responsáveis pela transição a continuarem a negociar com o PRS e o PAIGC, os signatários do memorando de entendimento, com o propósito de se conseguir uma solução digna na constituição de um Governo remodelado de inclusão e de base alargada.

Para concluir, a Comissão Executiva do partido afirmou, mais uma vez, a sua inteira convicção no prosseguimento da salvaguarda dos legítimos interesses da nação guineense.

De referir ainda que, recentemente, as duas formações políticas assinaram, em Bissau, um memorando de unanimidade sobre a formação de um novo Governo de inclusão. No entanto, o modelo de distribuição das pastas não foi observado pelo Chefe do Governo de transição, que, na passada semana, tinha proposto novas formas de distribuição das pastas ministeriais, medida esta que não foi bem aceite pelo PRS e pelo PAIGC.

Fonte: Jornal Digital – Notícias em tempo real, 3 de Junho de 2013 16:13h


Cláudia Évora

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Haileka Ferreira